Jornal Página 3
Coluna
Dedo na Moleira
Por Waldemar Cezar Neto

Bolsonaro que você desconhece

Não tenho mais qualquer dúvida que parte dos meus amigos quer uma ditadura, uma guinada à extrema direita e a pessoa que eles escolheram para fazer isso é Jair Bolsonaro.

Argumentar não adianta porque eles estão convictos que o Brasil só tem solução através de um regime de força.

Considerando que são almas perdidas, passei a sacaneá-los, fazer perguntas simples sobre Bolsonaro para ver se eles ao menos conhecem a pessoa em quem pretendem depositar o futuro imediato das suas vidas.

Perguntas do tipo: onde nasceu Bolsonaro; qual sua formação acadêmica; foi casado; qual suas profissões ao longo dos anos; o que fez de importante nessas profissões…

Invariavelmente, em 100% dos casos os amigos não souberam me responder o que me levou a suspeitar de um certo grau de irresponsabilidade por parte deles.

Vamos lá:

Bolsonaro não nasceu no Rio de Janeiro e sim em São Paulo, na cidade de Glicério.

Ele é formado pelo Exército em educação física.

No Exército, em 1986 começou a se rebelar por causa de salários. Foi preso; mais tarde em outro episódio (o plano de explodir bombas em instalações militares) acusado de inadequação para ser oficial e um conselho militar pediu que perdesse o posto e patente.

Julgado e inocentado por falta de provas, deixou a vida militar e entrou na política.

Depois de vereador, foi sete vezes deputado federal. Trocou de partido nove vezes. Integrou o PP que tinha como presidente de honra Paulo Maluf.

Foram 27 anos de mandato na Câmara dos Deputados, tempo em que conseguiu aprovar dois projetos de sua autoria: um que obriga as urnas eleitorais a emitirem recibo e outro que isentava de imposto um remédio para câncer que não faz efeito.

Em 2014 recebeu doação da JBS/Friboi, devolveu o valor ao partido que lhe doou os mesmos 200 mil.

Segundo o TSE, nos quatro anos entre 2010 e 2014 Jair Bolsonaro adquiriu cinco imóveis que totalizam avaliação de R$ 8 milhões.

Bolsonaro e a lógica de quem o quer

Pelas últimas pesquisas o eleitor médio de Bolsonaro tem renda e instrução mais elevada, são a classe média e os ricos sufocados pela criminalidade e/ou crise econômica.

O povão, eterna massa de manobra dos poderosos no Brasil, tende a receber uma reedição do discurso do ideólogo econômico da ditadura,. Delfim Netto: é necessário fazer o bolo crescer para depois redistribuir.

Isso causou uma concentração de riqueza no país que demorou 20 anos após o fim da ditadura para ser recuperado porque fazer o bolo crescer é dar dinheiro mais barato aos amigos do poder.

É tolice imaginar que teremos um país melhor com ditadura e relegando vastas parcelas da população à miséria.

Só se arruma as coisas pela educação, mas algum dos meus amigos já ouviu falar de algum projeto de Bolsonaro para a área educacional?

Ah esqueci, Bolsonaro casou três vezes e tem vários filhos, sendo dois deles também políticos profissionais.

Escrito por Waldemar Cezar Neto, 17/09/2018 às 08h01 | waldemar@camboriu.com.br

Projetinhos de neonazis e só 2%

Quem imaginava que o vergonhoso atentado à vida de Jair Bolsonaro renderia uma disparada de votos se enganou, ele se manteve no mesmo nível de dias atrás se considerada a margem de erro e uns 2% a mais para quem olha os números com o coração.

A pesquisa trouxe quatro notícias ruins para Bolsonaro: ele cresceu só 2% e isso é a margem de erro; sua rejeição é a maior entre os candidatos; Ciro e Haddad estão crescendo rapidamente e todos -menos o Haddad que empata- ganhariam do capitão reformado em segundo turno.

É a segunda vez que pesquisas mostram isso, a rejeição a Bolsonaro é tão grande que ele perde no segundo turno e aí, penso eu, reside a cova rasa da sua candidatura.

Confesso que nos últimos dias fiquei um pouco impressionado com a quantidade de gente que se manifestou bolsonarista, mas depois comecei a olhar com mais calma que são sempre os mesmos, só que fazendo mais barulho.

Correntes de WhatsApp; notícias falsas em redes sociais; destratar e chamar de comunista quem não vota em Bolsonaro não trará votos para ele, só mais rejeição.

Surgiram das frestas, inclusive aqui na cidade, projetinhos de neonazistas que exigem um posicionamento a favor de Bolsonaro.

Ora, vão chupar um carpim de turco, voto em quem quiser e nunca, jamais, votarei num cara que apoia tortura.

Não interessa o que o outro fez, tortura é hedionda a ponto de não ser admitida nem em guerras, é crime de guerra. Aí vem o Bolsonaro e quer dar medalha a torturador e isso me provoca ânsia de vômito.

Também acho que o país tem que buscar novos rumos; que precisamos de mais austeridade, mas daí a entregar meu futuro nas mãos de um Bolsonaro que até pouco tempo atrás era um completo desconhecido?

Um cara que não se destaca em conhecimento algum, só em prometer porrada e regime militar?

Qual a qualidade de planejador, executivo ou mesmo de político que você conhece em Bolsonaro? Nenhuma, ele não tem capacidade para isso.  

Não dá para engolir um cara desses e mais gente pensa como eu, na verdade mais da metade dos brasileiros pensamos assim, por isso Bolsonaro felizmente não será Presidente do Brasil.

Escrito por Waldemar Cezar Neto, 11/09/2018 às 06h29 | waldemar@camboriu.com.br

Bolsonaro no 1o turno e Ciro no segundo?

 

Metade dos meus amigos mais próximos diz que votará em Bolsonaro e desses a totalidade acredita que o capitão reformado ganhará de lavada no primeiro turno.

Claro, como todo eleitor apaixonado, esses amigos não fazem contas e muito menos acreditam em pesquisas, consideram que Ibope, Datafolha etc. estão a serviço do mal.

Até o momento todos os institutos de pesquisas mostram que Bolsonaro continua marcando passo em torno de 23% o que lhe garante a liderança folgada no primeiro turno, mas não a vitória nesta etapa onde precisaria de 50% mais um voto.

E na segunda etapa, as pesquisas também mostram, ele perderia para pelo menos três dos candidatos que estão disputando.

Tenho repetido, parafraseando Tom Jobim, que “o Brasil não é para principiantes”. Se contar a um escandinavo que o líder das pesquisas à Presidência está na cadeia e que o vice-líder perde para ao menos três no segundo turno, funde a cuca do cara.

A próxima semana poderá clarear um pouco mais o cenário porque o MDB tende a “cristianizar” Henrique Meirelles, abandonando seu próprio candidato em busca de espaços mais confortáveis no futuro, de preferência com quem tiver maior chance de ganhar.

É o MDB sendo MDB, ninguém pode reclamar. Menos ainda quem comete habitualmente a insensatez de votar em alguns dos filiados ao partido.

A especulação é que os emedebistas migrarão para Bolsonaro e para o candidato do PT (Haddad?). Fico imaginando o Dr.Ulysses se revirando no fundo do mar ao saber que parte do partido que ajudou a acabar com a ditadura no Brasil apoia um candidato que prega a ditadura.

Esse movimento oportunista -como sempre- do MDB, talvez decida o futuro da eleição, mas o tiro pode sair pela culatra e prejudicar os candidatos do próprio partido.

Porque a imagem dos emedebistas mais proeminentes é suja feito pau de galinheiro e a cristianização de Meirelles carregará mais nojeira para algo que naturalmente cheira mal.

Meu amigo que ganha a vida elaborando estratégias jurídicas e políticas, jura de pés juntos que o vencedor será Ciro Gomes, o voto-útil o levaria ao segundo turno e à vitória.

Pode ser, na minha consciência Ciro é melhor do que a maioria dos petistas e, claro, melhor do que Bolsonaro.

Afinal, porra-louca por porra-louca, Ciro é muito mais previsível.

Escrito por Waldemar Cezar Neto, 06/09/2018 às 12h08 | waldemar@camboriu.com.br

A perspectiva para o Brasil é ruim

De uns tempos para cá o Jair Bolsonaro tem me lembrado uma figura-chave da história brasileira, Carlos Lacerda, governador da Guanabara que combateu Getúlio Vargas; Juscelino Kubitschek; Jango Goulart; apoiou a ditadura, depois a repudiou e foi cassado por ela.

Bolsonaro catalisa os brasileiros decepcionados com a democracia à moda verde amarela -quase uma cleptocracia- e penso que isso não vai acabar com a eleição, independente do resultado.

Se Bolsonaro vencer, em pouco tempo dirá ao país que com esse Congresso é impossível governar com seriedade - o que provavelmente é real.

Se perder, tem tudo para se transformar num Lacerda, mesmo que não possua o dom da oratória e a inteligência brilhante daquele ex-político carioca.

Em qualquer hipótese acredito que o Brasil viverá tempos sombrios porque meus amigos falam abertamente que o país precisa de um golpe, fechar o Congresso, colocar na cadeia pencas e mais pencas de políticos e -vejam só minhas nove leitoras- muitos juízes.

É um caminho tétrico, mas receio que nos encaminhamos para ele.

Escrito por Waldemar Cezar Neto, 04/09/2018 às 16h52 | waldemar@camboriu.com.br

Ruim para o Bolsonaro, bom para o Brasil

Escrito por Waldemar Cezar Neto, 23/08/2018 às 07h38 | waldemar@camboriu.com.br

Nas redes todos os políticos são puros

Recebi da assessoria de imprensa do Partido Social Liberal (PSL) email assinado por seu presidente em Santa Catarina, Lucas Esmeraldino, onde ele afirma que o partido é um exemplo porque não concorda e não fará o uso do Fundo Partidário, assim como não abre mão da chapa pura, evitando arredar seu projeto à velha política.

O PSL é o partido do Bolsonaro, Esmeraldino é vereador em Tubarão e a história real é outra, não essa divulgada por ele.

Dois anos atrás Esmeraldino se elegeu vereador em Tubarão, pelo PSDB, coligado com o PMN e o PR.

Em menos de dois anos o que era bom para Esmeraldino (o PSDB coligado com o PMN e o PR), virou “velha política”.

Mais curioso é que quando concorreu a vereador pela primeira vez naquela cidade do Sul do Estado, em 2012, o candidato a prefeito que ele apoiou tinha o apoio também do PTN / PR / PHS / PMN / PSDB  e PC do B.

De coligação com um partido comunista a liberal empedernido, é isso que a história conta. 

Relatam jornalistas de Tubarão que Esmeraldino não saiu do PSDB porque era “velha política” e sim porque não tinha espaço para voos mais altos como está tendo agora.

Em certo ponto do email enviado pelo presidente estadual do PSL, está escrito que “Vivemos um momento histórico, único de oportunidades, para a ascensão das ideias liberais”.

Desculpe Esmeraldino, o princípio primeiro do liberalismo é a liberdade e não será um grupo liderado por Bolsonaro que irá garantir isso aos cidadãos.

Penso que com ele estaríamos muito mais próximos de uma ditadura do que de um ambiente liberal.

Escrito por Waldemar Cezar Neto, 13/08/2018 às 09h44 | waldemar@camboriu.com.br



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Waldemar Cezar Neto

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Lê, pesca, cozinha, escreve e é diretor chefe do Jornal Página 3.


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