Jornal Página 3
Coluna
Cá Pra Nós
Por Fernando Baumann

Os Amigos Que Tenho

  

Minha vida sempre foi pautada por desafios, e acredito que a sua também. Cada um a seu modo ou medida precisa deles para testar seus limites, buscar novas experiências ou simplesmente sair do lugar comum e se sentir vivo. O gatilho que dispara essa necessidade em mim é  o frio na barriga. Se pensei em algo e este algo causou o efeito então preciso fazer. Ah, a consequência imediata é a necessidade de ir ao banheiro.

Um dia o Zoanir, companheiro de pedal de longas horas me fez um convite – Vamos fazer um desafio “non-stop” Balneário a São Paulo? Então àquela sensação me acometeu e não tive dúvida: Estou dentro!!

Plano feito, data definida e Luiz e Adão convidados para nos acompanhar de carro fui comunicar meus pais sobre nossa grande ideia. Meu pai como de costume calou-se em aprovação, mas minha mãe não. Com o dedo em riste apontou para o meu nariz e disse: Você é um irresponsável inconsequente. Dois filhos menores pra criar e se mete a besta  nessas coisas! Claro que concordei com ela. Só que não por muito tempo.

Saímos de Balneário Camboriú numa quinta-feira às 22:00h e lá estavam meu pais para nos desejar boa sorte. Como foi reconfortante o abraço e beijo deles. A família do Zô também estava em peso, assim como minha esposa e filhos. Família é tudo.

Nossa estratégia era o carro de apoio andar 80 a 100 km e nos aguardar, preferencialmente em um posto de gasolina para o devido descanso, esvaziamentos legais(!?) e reposição de calorias. No limite do cansaço dormíamos dentro do carro, no máximo duas horas, para o corpo não esfriar totalmente e impossibilitar o retorno ao pedal. Muito mais que desafio físico, atividade como essa exige controle emocional, perseverança e determinação.

Definimos nossa saída para àquele dia e horário para que conseguíssemos iniciar a subida da serra do Cafezal no sábado de manhã, período com menor movimento de caminhão, pois naquela época 30 km desta serra ainda era pista simples e sem acostamento, nos obrigando a andar em cima da pista de rolamento, e sem dúvida o local mais perigoso de todo o trajeto.

Às 6:30h do sábado nos aproximamos do início da subida da serra. Um carro da Autopista, administradora da rodovia, nos abordou e questionou se sabíamos dos riscos que estávamos correndo em prosseguir com nosso intuito. Falamos que sim e eles nos fizeram assinar um termo de responsabilidade. Três horas depois havíamos vencido os 30km, sendo 18km os mais tensos.

Um desafio como este, cujo objetivo é vencer a maior distância no menor tempo possível, é fundamental a equipe de apoio. E o maior “perrengue” acaba sendo deles, pois ficam muito tempo esperando e quase não conseguem dormir, ansiosos e preocupados pela nossa chegada.

No sábado à tarde entramos na Avenida Paulista e às 16:40h chegamos na frente do MASP, nosso objetivo final. Foram percorridos 620km em 42:40h, algo em torno de 30:00h pedalando e o resto descansando. Um misto de alegria e satisfação tomou conta de mim e do Zô, e lá estavam Luiz e Adão nos aguardando para num abraço coletivo selar nossa realização.

Mãe, cheguei!!!

Escrito por Fernando Baumann, 13/04/2018 às 15h04 | fernando@bba-reiki.com.br



Fernando Baumann

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Economista, empresário e militante das causas coletivas, acredita no associativismo e cooperativismo como ferramentas para a construção de uma sociedade mais justa. Busca incessantemente evoluir como ser humano e social.


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