Jornal Página 3
Coluna
Cá Pra Nós
Por Fernando Baumann

O Fator Fazer

 Na minha percepção nosso atendimento ao público de modo geral é ruim. Parece que o cliente é um problema. Falta postura profissional, agilidade e simpatia. Quem nunca foi a um mercado, padaria ou outro comércio em geral e ficou aguardando enquanto os atendentes conversavam sobre o final de semana, o passeio, o futebol ou o cônjuge? Ou então àquela vontade danada em  atender que faz você se sentir um intruso, um incômodo?

Escuto muito a frase: “ah eu não tive sorte..., ah eu não tive oportunidade”...

Pois bem, num determinado dia fui fazer compras num mercado próximo a minha casa e aleatoriamente escolhi um caixa para efetivar o pagamento. Rapidamente pude observar a forma eficiente e eficaz com que o atendente realizava o seu trabalho, estando concentrado nos seus afazeres, procurando desempenhá-lo da melhor forma possível. Aquilo me chamou a atenção, pois o que deveria ser regra era exceção.

Numa segunda oportunidade que fui ao mesmo mercado lembrei do ocorrido na vez anterior e procurei utilizar o serviço do mesmo atendente. E lá estava ele igual: rápido, eficiente e ágil. Numa terceira vez o fato se repetiu. Então não tive dúvida, liguei para a empresa de recrutamento e seleção que me atende e disse: “quero que contrate esta pessoa!”

Pois bem, ele veio trabalhar comigo e de simples auxiliar galgou cargos importantes na empresa transformando-se num profissional de sucesso, sempre atualizado e esforçado em entregar o melhor. Hoje não faz mais parte dos nossos quadros, pois decidiu empreender por conta própria, tendo meu total apoio.

De auxiliar a dono do próprio negócio!

Hoje, refletindo sobre o ocorrido, fica claro para mim que cada profissional é patrão de si mesmo. Você não trabalha para um CNPJ, mas sim para o seu CPF. A questão da sorte ou da oportunidade é relativa a fazer ou esperar ser feito.

O tempo todos estamos sendo observados, então não estar nem aí com que os outros pensam ou acham pode servir contra você. Você é o melhor produto que tem para vender, então saiba se vender, pois se não for valorizado aonde está certamente alguém o fará.

E a sorte virá.

E as oportunidades virão!

 

Escrito por Fernando Baumann, 20/04/2018 às 09h42 | fernando@bba-reiki.com.br

Os Amigos Que Tenho

  

Minha vida sempre foi pautada por desafios, e acredito que a sua também. Cada um a seu modo ou medida precisa deles para testar seus limites, buscar novas experiências ou simplesmente sair do lugar comum e se sentir vivo. O gatilho que dispara essa necessidade em mim é  o frio na barriga. Se pensei em algo e este algo causou o efeito então preciso fazer. Ah, a consequência imediata é a necessidade de ir ao banheiro.

Um dia o Zoanir, companheiro de pedal de longas horas me fez um convite – Vamos fazer um desafio “non-stop” Balneário a São Paulo? Então àquela sensação me acometeu e não tive dúvida: Estou dentro!!

Plano feito, data definida e Luiz e Adão convidados para nos acompanhar de carro fui comunicar meus pais sobre nossa grande ideia. Meu pai como de costume calou-se em aprovação, mas minha mãe não. Com o dedo em riste apontou para o meu nariz e disse: Você é um irresponsável inconsequente. Dois filhos menores pra criar e se mete a besta  nessas coisas! Claro que concordei com ela. Só que não por muito tempo.

Saímos de Balneário Camboriú numa quinta-feira às 22:00h e lá estavam meu pais para nos desejar boa sorte. Como foi reconfortante o abraço e beijo deles. A família do Zô também estava em peso, assim como minha esposa e filhos. Família é tudo.

Nossa estratégia era o carro de apoio andar 80 a 100 km e nos aguardar, preferencialmente em um posto de gasolina para o devido descanso, esvaziamentos legais(!?) e reposição de calorias. No limite do cansaço dormíamos dentro do carro, no máximo duas horas, para o corpo não esfriar totalmente e impossibilitar o retorno ao pedal. Muito mais que desafio físico, atividade como essa exige controle emocional, perseverança e determinação.

Definimos nossa saída para àquele dia e horário para que conseguíssemos iniciar a subida da serra do Cafezal no sábado de manhã, período com menor movimento de caminhão, pois naquela época 30 km desta serra ainda era pista simples e sem acostamento, nos obrigando a andar em cima da pista de rolamento, e sem dúvida o local mais perigoso de todo o trajeto.

Às 6:30h do sábado nos aproximamos do início da subida da serra. Um carro da Autopista, administradora da rodovia, nos abordou e questionou se sabíamos dos riscos que estávamos correndo em prosseguir com nosso intuito. Falamos que sim e eles nos fizeram assinar um termo de responsabilidade. Três horas depois havíamos vencido os 30km, sendo 18km os mais tensos.

Um desafio como este, cujo objetivo é vencer a maior distância no menor tempo possível, é fundamental a equipe de apoio. E o maior “perrengue” acaba sendo deles, pois ficam muito tempo esperando e quase não conseguem dormir, ansiosos e preocupados pela nossa chegada.

No sábado à tarde entramos na Avenida Paulista e às 16:40h chegamos na frente do MASP, nosso objetivo final. Foram percorridos 620km em 42:40h, algo em torno de 30:00h pedalando e o resto descansando. Um misto de alegria e satisfação tomou conta de mim e do Zô, e lá estavam Luiz e Adão nos aguardando para num abraço coletivo selar nossa realização.

Mãe, cheguei!!!

Escrito por Fernando Baumann, 13/04/2018 às 15h04 | fernando@bba-reiki.com.br

Regozijo

 Tudo está certo.

Experimente subir o Morro da Cruz em Itajaí. No mirante com vista leste, para o mar,  observe a grandeza da natureza, com a visão infinita do mar fundindo-se com o horizonte, também a morraria e a própria dimensão do Morro da Cruz. Tudo está no lugar certo e concorre harmonicamente entre si. Uma beleza sensível e equilibrada.

Agora movimente-se sentido norte, indo para sobre o muro de pedras, tendo a Univali aos seus pés. A catedral e os portos de Itajaí e Navegantes um pouco mais distantes, e o movimento frenético de duas cidade ativas separadas por um rio.

Aliás, é esse rio o pano de fundo  do texto que escrevo. Vou explicar melhor o meu “causo”: em um determinado dia de atividade profissional, já no meu limite entre a sensatez e a explosão, percebendo que estava a beira de colapso pelas pressões recebidas, decidi abandonar meu posto e reequilibrar minhas energias e sai sem destino. Peguei minha moto e acabei indo para Itajaí. Preciso de contato vivo para me restabelecer, e encontro esta fonte na natureza. Seja andando descalço, curtindo minha bicicleta por locais com ar puro ou simplesmente contemplando belos visuais. Naturalmente subi o Morro da Cruz.

Lá em cima fiz minha caminhada na sequência como sugerido no primeiro parágrafo. O belo visual funcionou como um bálsamo para as minhas angústias e lentamente fui me reconectando com as energias que mantém o universo em equilíbrio, e me reequilibrei. Neste estágio de serenidade as coisas fluem e o propósito fica claro: preciso evoluir!

Em cima da mureta olhando para noroeste comecei a observar o rio Itajaí-açú, e chamou atenção o fato de até a BR 101 seu leito ser praticamente reto e, a partir dali serpentar rumo ao mar. Pensei: caramba!! Que belo exemplo a natureza está me dando. Certamente teria sido muito mais fácil para ele seguir em linha reta até o final para cumprir seu objetivo de desembocar no mar, mas por qualquer motivo ele não conseguiu. Mas não desistiu, não arrumou desculpas e não se justificou. Foi lá e fez, encontrando alternativas para superar os obstáculos, e conseguiu. Desde então trago este endimento de vida comigo.

Daquilo que teria sido apenas mais um dia ruim foi a oportunidade que tive de perceber as respostas às minhas angústias na própria natureza. A sequência de acontecimentos de início nada agradáveis foram as mesmas que me permitiram entender que tudo está certo, independente do meu sentimento a cada momento.

Então, por mais difícil que seja, tudo está certo. É a natureza que diz!

Escrito por Fernando Baumann, 06/04/2018 às 13h27 | fernando@bba-reiki.com.br

Idas e Vindas

  O que eu ganho com isso?? Esta era a frase que eu mais escutava quando estava à frente de uma entidade empresarial aqui em Balneário Camboriú. Frase pronta e corriqueira em nosso vocabulário, pode até passar despercebida, mas expressa categoricamente nosso “modus operandi”. Só nos entregamos a algo se objetivamente tivermos algum lucro pessoal e imediato.

Tive a oportunidade em visitar a HWK(Handwerkskammer) na cidade de Munique, Alemanha. A HWK, ou Câmara de Artes e Ofícios, desempenha um papel parecido com nossas entidades empresariais. Só que diferente, pois no modelo alemão a qualificação profissional é tripartite entre empresa, sindicato e governo. Perguntei a um empresário de lá se ele não se preocupava em investir anos na profissionalização de seus funcionários, e depois perde-los para a concorrência, e ele respondeu: “Não, se perco um qualificado busco outro no mercado!” É óbvio, se cada um faz sua parte, o todo é imbatível.

Por volta do ano de 2005 houve um movimento em Balneário Camboriú para a criação de uma entidade com o intuito de desenhar o futuro da cidade, com a participação maciça da sociedade civil organizada representada por suas entidades. Entendia-se que o plano caberia à sociedade e não aos governos, que são transitórios, e que a estes caberia a execução. Então criou-se o CONDES(Conselho Econômico e Social) baseado na experiência do CODEM de Maringá-PR.

De cunho consultivo e sem interesses políticos-partidários, o CONDES recebeu apoio público e de uma centena de entidades e ONG’s. Durante seus anos de existência produziu belos trabalhos até hoje presentes em nossa cidade. Quem planeja tem futuro, quem não planeja tem destino!

Quando a máxima do primeiro parágrafo, do interesse pessoal sobrepor o coletivo, se fez valer, nosso plano de planejar sucumbiu por falta de apoio político e econômico. Falamos dos problemas de Brasília, mas Brasília está aqui, em Balneário Camboriú. Muito trabalho e dedicação deixados escapar pelo ralo. Mesmo com as conquistas,poderia ter se ido muito mais longe.

Bom, falamos de 10 anos atrás, agora vejo noticiado na imprensa local sobre movimento das entidades em prol da união frente as reinvindicações coletivas. Parece engraçado, onde estavam quando tínhamos um instrumento estruturado de discussão coletiva funcionando e engajado? Porque não se movimentaram quando foi pedido socorro? Eu tenho a minha resposta, mas não vou dizer.

Acho ótimo e apoio toda iniciativa que objetive o bem comum. Mesmo tendo perdido tempo, sempre é possível um novo recomeço. E que assim seja, coletiva e despretensiosamente discutindo profundamente quais são os NOSSOS INTERESSES.

Escrito por Fernando Baumann, 30/03/2018 às 10h28 | fernando@bba-reiki.com.br

Meu Bom, Meu Mal

Sabe, eu confesso, não é fácil lidar comigo. às vezes nem eu mesmo consigo. Não sei se pra você é assim, mas pra mim parece que sou dois, ora bonzinho ora malzinho. É um conflito interno que nunca tem fim.

Se há um lugar onde a sociedade interage é o trânsito. Todos estão ali, independente da condição econômica, social, religiosa ou partidária. E é ali que o malzinho aparece. Fico muito irritado com a falta de colaboração, a individualidade e o egoísmo. Ainda bem que o bonzinho nunca me abandona e quando o negócio esquenta ele toma a frente e dá um basta no malzinho. É difícil e chato mas tem funcionado. Mas está errado. Num determinado dia precisei ir a Florianópolis e decidi, quando liguei o carro, que deixaria o malzinho em casa. Foi incrível! Ninguém me atrapalhou, o trânsito fluiu e eu cheguei tranquilo ao meu destino. Deu tudo certo.

O que aconteceu? Onde estavam àqueles que me atrapalhavam? Pois é. Nós temos olhos que enxergam pra fora, os olhos físicos, que apontam as falhas e os erros dos outros de maneira exemplar. Àqueles que olham pra dentro, os olhos da alma, normalmente estão fechados por falta de conexão com nossa energia vital. Somos os atores principais do filme de nossas vidas, mas só temos condições de avaliar adequadamente nosso desempenho nesse papel quando saímos de cena e vamos para a plateia apreciar nosso espetáculo, que normalmente não é tão bom quanto imaginamos.

Bom, quando sai de casa achei que o malzinho tinha ficado lá. Bobagem, ele estava sentado no banco de traz. Daí na volta o pau pegou.

Hoje entendo que os dois nunca irão se separar, inclusive que é boa esta dualidade, mas que meu papel enquanto ser em evolução é buscar o equilíbrio, que não se dá pela divisão em partes iguais, mas diminuindo a importância de um e aumentando a importância do outro. Acho que essa é a minha história. Acho que essa é minha busca.

Escrito por Fernando Baumann, 23/03/2018 às 12h09 | fernando@bba-reiki.com.br

A Cadela Angelina

  

Tenho uns amigos esquisitos, daqueles que inventam caminhar longas jornadas. Zé, Agilson e Enir. São pais de família, avós até, e também muito ocupados. Se você olhar eles na rua vai até achar que são normais. Profissionais bem sucedidos em suas áreas, ficam procurando coisas pra se incomodar. E eu acabei entrando nessa de graça iludido por um deles.  Só que não.

Bom, concluímos que caminhar aqui entre Balneário, Itajaí, Camboriú e Brusque já não tinha mais graça, então resolvemos ser mais ousados, e surgiu a ideia de ir até Angelina. Plano traçado tínhamos um impedimento com o Enir, que podia ir somente até Tijucas.

Chegado o dia combinei encontrar o Agilson às 6:00h na esquina da rua 1500 com Quarta avenida. Como estava chovendo, usei uma capa vermelha antiga que não sei de onde veio, muito feia por sinal. O Agilson também usava uma capa estranha. Então um carro passou por nós e um cara colocou a cabeça pra fora do vidro e gritou: “bichooooonas”!!  Olhamos assustado um para o outro e começamos a rir. Começou bem, pensei.

Seguindo adiante encontramos Zé e Enir e caminhamos até o destino final daquele dia, em Tijucas. Os pés arrebentados de bolha e uma dor danada nas costas me faziam xingar o tempo todo o cara que teve àquela ideia idiota. De lá o Enir voltou para casa e nós fomos procurar um hotel pra dormir.

No dia seguinte, um pouco restabelecidos, seguimos caminho até Major Gercino, nossa próxima pernoite. O dia estava muito quente e fomos fritados pela radiação solar que vinha de cima e pelo calor que subia do asfalto. Um inferno! O Zé com as pernas curtinhas demorava muito tempo entre um passo e outro, quase o dobro dos demais, atrasando a viagem. Chegamos quase meia noite, isso sem antes ele tentar catequisar um ciclista embriagado que teimava em nos acompanhar.

Começamos nosso terceiro dia rumo ao destino final, Angelina. Caminho difícil mas agradável, seguia por estradinhas de chão batido e pequenos sítios, além da serrinha que dividia o ponto de partida do ponto de chegada. Nesta serrinha entre uma curva e outra o Agilson escutou o grunhido de um animal vindo de um mato ralo e foi olhar o que era. Para nossa surpresa era uma filhote de cão provavelmente abandonada ali a própria sorte por alguém sem coração. Decidido ele a acomodou no seu chapéu e disse: vou levar junto! Que cara louco. Ela estava molhada e fedida, quem sabe doente ou coisa pior. Mas ele não desistiu.

Deu muito trabalho levar a tal cadelinha. Além de pesada ela estava muito assustada. Às vezes revezávamos na função. Minha esposa veio  nos buscar em Angelina, e eu pensava se ela ia concordar em colocar àquele animal mal cheiroso dentro do seu carro. Mas como ela mesmo disse depois,  não sabia o que era do cachorro ou o que era nosso.

Essa história aconteceu a mais ou menos seis anos a traz, e hoje a cadelinha corre faceira na casa dos pais do Agilson, muito saudável e querida, e como não podia deixar de ser,  foi batizada com o nome do nosso destino: Angelina.

Escrito por Fernando Baumann, 16/03/2018 às 15h07 | fernando@bba-reiki.com.br



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Fernando Baumann

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Economista, empresário e militante das causas coletivas, acredita no associativismo e cooperativismo como ferramentas para a construção de uma sociedade mais justa. Busca incessantemente evoluir como ser humano e social.


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