Jornal Página 3
Coluna
Cá Pra Nós
Por Fernando Baumann

A escuridão

 Muitas vezes me pego pensando por que estou aqui, aliás, por que não, mas para que. Qual o meu objetivo e a minha missão enquanto ser humano? Acredito que pela perfeição e detalhamento do “projeto” certamente não é apenas para passear ou gozar os prazeres da carne. Não teria muito sentido isso pois é tudo efêmero e ilusório.

Olhando uma foto aérea de um rio com vários barcos notei a marola produzida no rastro de suas passagens. Me chamou a atenção que apesar de suave e delicada as jornadas deixavam rastros que mudavam conforme o tipo e possivelmente a velocidade e modo de condução de cada embarcação. Então é isso: qual o rastro que estou deixando? Se tudo é transitório, qual a minha marola?

Não sei como é para você, mas eu tenho o hábito de reclamar dos outros e achar que eu sempre estou certo, que a minha verdade é a que vale e que o meu mundo é melhor que o do outro. Por muito tempo acreditei que minha missão seria consertar tudo que está aí. Por vezes ainda penso assim.

Por me achar perfeito cego meus olhos às verdades expostas. Talvez por querer esconder os meus defeitos procuro encontrar os dos outros. E qual o resultado disso? Qual a minha “marola”?

Na lida diária da existência, entre tombos sequenciais que dilapidam o meu estado de auto proteção, janelas de luz abrem caminho a compreensão de que sou um ser em desenvolvimento, que está no controle de suas decisões e de que é incapaz de corrigir o que está fora. Verdade dita, isto é impossível e desnecessário.

A marola dos outros até impactam na minha estabilidade, mas eu não posso impedir nem corrigir. Elas são o que são. O que eu preciso e devo é corrigir a minha marola. Esta é a minha missão aqui.

Difícil, não impossível.

Então eu quero e posso!

Escrito por Fernando Baumann, 18/07/2018 às 10h43 | fernando@bba-reiki.com.br

Mentes tão bem

 A mente, esta parte incorpórea ou sensível do ser humano, onde se desenvolve o raciocínio e o intelecto, é originada do latim méntem e significa pensar, conhecer, entender, e também medir, visto que alguém que pensa não faz outro que medir, ponderar as idéias(Wilkipedia).

Mas análogo ao significado original, também quero acrescentar a comparação com o verbo mentir. Mente de mentir. Normalmente nossa mente nos trai, levando nossos pensamentos para o passado, pensando no que poderíamos ter feito, ou para o futuro, pensando no que vamos fazer. É muito difícil nos mantermos em estado de plenitude, que é viver o presente pelo presente.

Ora, se o passado não volta e o futuro não existe, porque nossa mente transita nesses dois momentos? Simples, porque ela nos poupa do medo que temos de enfrentar nossas realidades e frustrações. Assim fica fácil transferir a responsabilidade para os outros e não assumir as nossas próprias.

Escuto dizer que a saúde é o bem mais precioso, mas quero aqui discordar. Entendo que o bem mais precioso é o momento presente, o aqui e agora, que não dá pra reservar ou estocar. Ele é o que é e não se repete. Do que adianta a saúde se a vida não existir?

Não tenho formação e tão pouco sou estudioso disso,  mas presto atenção em fatos. Olhe para a criança que aprende a andar. Durante muito tempo ela conhece o desequilíbrio. Somente após entender como funciona o desequilíbrio que ela conhece o equilíbrio, daí aprende a andar. Sua mente está livre, não julga e não restringe sua capacidade considerando-se inferior as demais crianças. Simplesmente vai.

Trabalhei durante 12 anos sem tirar férias, achei que estava fazendo o que era o certo, até que um dia minha filha, então com 09 anos, olhou pra mim e disse: pai, porque você não sorri? Você fica mais bonito quando sorri!

Desperdiçamos nosso tempo valorizando tanta coisa inútil. A vida, esse milagre Divino, jogado ao ócio por prazeres fúteis, condicionado a um pensamento atrasado ou adiantado, que não se ocupa em estar “no tempo”, que é o estado de graça e plenitude da existência.

Desculpe, acho que esse texto está um tanto confuso, sem ser muito claro ou inteligível, talvez por conta do tema difícil, ou da minha mente que não para de pensar nas contas que tenho que pagar amanhã, ao invés de curtir o descanso de hoje.

Triste fim de domingo.

 

 

Escrito por Fernando Baumann, 01/07/2018 às 17h42 | fernando@bba-reiki.com.br

É nóis!

 Não são os políticos, isso é papo furado!!

Estou ficando desorientado com tanta besteira que estamos falando por aí, dizendo que a responsabilidade por tudo que está acontecendo é deles, chega de tanta bobagem. Vamos parar de transferir nossa responsabilidade e culpa, assumindo o compromisso de mudar o que está aí a partir de nós?

Os bobalhões que se divertem em país estrangeiro humilhando uma pessoa que desconhece a língua significa o que? O esperto do funcionário de uma loja na rua da minha casa que vem de moto contramão todo dia porque tem preguiça de dar a volta na quadra é o que?

Outro exemplo: semana passada fui ao Rio, e chegando próximo a serra das Araras o trânsito estava impedido por conta do tombamento de uma carreta. Então quando vêm uma ambulância todos dão um jeito de liberar espaço para ela passar, mas aí atrás segue um batalhão de sem noção aproveitando a oportunidade de burlar a fila. Sem falar os que passaram pelo acostamento!

Mais um: almoço habitualmente num restaurante na terceira avenida que invariavelmente lota, então algumas pessoas que entram já procuram mesa livre e a reservam com bolsas, celulares e chaves, chamando de idiota àqueles que se servem primeiro para depois sentar,  que é a ordem natural das coisas.  Amigo leitor, sinceramente, o que significa isso para você?

Então são os políticos os abestados que destroem o país, ou é nossa falta de cultura, individualidade, ganância e egoísmo? Nos achamos espertos, safos ou o que quer que seja, sendo que na verdade somos a pólvora que destrói o tecido social, e as consequências estão aí: “os políticos”. A verdade é a seguinte, não estamos nem aí para o outro. Ele que se dane. Farinha pouca meu pirão primeiro.

Recentemente li em importante definição que precisamos do termo VOE para mudar nosso modelo comportamental, que significa combater a Vaidade, o Orgulho e o Egoísmo. Somados, estes três elementos compõe o coquetel da insanidade social que vivemos. O resto é consequência. Tem dúvida de que nossa sociedade está doente? Observe o trânsito.

Chega de falação!! Voe, voe, voe, para poder decolar desse chão de misérias míopes.

É “nóis”, pombas.

 

Escrito por Fernando Baumann, 26/06/2018 às 10h12 | fernando@bba-reiki.com.br

De Cristo a Cristo - 2ª parte de 2

 Continuação texto publicado 19/06....

Perto do meio dia e com aproximadamente 700,0 km rodados alcançamos a rodovia Regis Bittencourt, na região de Miracatu, dentro do tempo previsto. Dali para frente seguimos até o início da serra do azeite, 10,0 km após Cajati, onde chegamos por volta das 22:00h.

Não comentei, mas cada bicicleta estava equipada com rastreador, e havia na equipe um quinto elemento, o Carlos, que nos acompanhava de sua casa pela internet. Acontece que no ponto em que paramos não havia posto de apoio,  o que nos obrigou ir para o outro lado da rodovia, sentido São Paulo, só que nesse ponto as pistas se afastam bastante uma da outra. Nossa mudança da rota prevista causou estranheza ao Carlos, que acionou o Luiz e o Adão, só que os dois haviam parado alguns quilômetros antes para descansar, e acordaram sobressaltados com o toque do celular. Para completar a sequência dos fatos, onde Zoanir e eu estávamos não tinha sinal de celular. Foram duas horas de espera nossa e busca por parte deles, que imaginaram que havíamos sido sequestrados.

Esclarecidas as coincidências desatinadas, descansamos um pouco e às 3:00h começamos a subir a serra do azeite, com sequências de curvas e aproximadamente 25,0km de aclive. Pela falta de acostamento nos obrigávamos a andar na borda da pista, o que era assustador com a aproximação dos caminhões, principalmente os cegonheiros, com a “batenção” metálica de suas carrocerias. Subimos roda com roda para aumentar nossa segurança, se é que de alguma forma ela existia, com luzes de identificação e coletes refletivos.

Na sequência o dia transcorreu dentro do previsto e no final da tarde passamos por Curitiba. Seguimos pedalando madrugada a dentro e às 4:30h chegamos no posto Santa Rosa em Itajaí. Como nosso horário previsto para chegada em Balneário era 9:00h decidimos descansar um pouco. Às 7:00h saímos rumo ao nosso destino final.

Próximo a Balneário na beira da pista nosso amigo Ricardo e meu filho Henrique nos esperavam com suas bicicletas. Uma emoção muito forte tomou conta de mim e comecei a chorar copiosamente. Olhei para o Zoanir e lágrimas também escorriam do seu rosto. Indescritível àquele momento!

No trevo de acesso a nossa cidade mais amigos nos aguardavam e às 8:30h encerramos nosso desafio aos pés do monumento do Cristo Luz em Balneário Camboriú. Nossos familiares e uma multidão de pessoas nos aguardavam, que também puderam nos acompanhar on line desde a partida até a chegada, no blog escrito durante a viagem pelo Adão.

Foram 1186,0 km  percorridos em 95:30h. Cumprimos nosso objetivo, graças ao trabalho em equipe e o apoio incondicional de pais, esposas e filhos.

Escrito por Fernando Baumann, 22/06/2018 às 08h21 | fernando@bba-reiki.com.br

De Cristo a Cristo - 1ª parte de 2

 No ano anterior eu e o Zoanir havíamos feito de bicicleta Balneário a São Paulo “sem parar”. Então pensávamos num novo desafio nos mesmos moldes, que também fosse desafiador e realizável. Também queríamos inverter o sentido, ou seja, chegar em Balneário ao invés de sair daqui, pois descobrimos que o maior significado de sair é poder voltar. Da outra vez a chegada na frente do MASP foi emocionante, mas vazia pela falta da família. A nossa casa é onde está a nossa verdade, então chegar é melhor que partir.

Decidimos manter o ritmo de 300,0 km a cada 24h. Este era nosso objetivo. Pensando em várias alternativas decidimos escolher Rio a Balneário, praticamente o dobro do desafio anterior. Adão e Luiz convidados decidimos a data da partida. Seriam necessários seis dias, sendo um para a viagem de carro, um para o descanso e quatro para o retorno.

Ninguém acreditava, mas coube tudo num carro. Três bicicletas(uma reserva), bagagens e mantimentos para quatro adultos. Fomos pela Rio-Santos, exatamente o caminho contrário ao que percorreríamos,  para reconhecimento das dificuldades. Eu já tinha noção, pois em 2004 já havia feito este caminho de bicicleta.

Nosso desejo era sair da base da estátua do Cristo Redentor, e para isto foi necessário ir na sede da administração localizada dentro do Parque Nacional da Tijuca. Pelas informações obtidas seria difícil conseguir tal autorização. Após uma hora de espera o responsável nos atendeu e de imediato concedeu a referida autorização. Nem acreditamos!

No dia seguinte logo cedo subimos de carro até o último ponto possível, daí retiramos nossas bicicletas do porta-malas e as montamos, colocando rodas e selim. Bicicletas prontas carregamos elas até a base da estátua do Cristo Redentor. Como era cedo o parque ainda não estava aberto ao público. Uma forte emoção nos acometeu naquele momento. Uma das sete novas maravilhas nas nossas costas e um mundo para ser conquistado aos nossos pés(ou pedais).

O primeiro dia foi difícil para mim, pois havia comido algo no dia anterior que embaralhou o estômago. Pedalei o dia inteiro sem conseguir me alimentar. Final da tarde após passar Angra dos Reis parei minha bicicleta no canto da estrada e consegui pôr para fora àquilo que me incomodava. Dali para frente as coisas começaram a fluir melhor. Por volta da meia noite paramos para dormir um pouco num posto de gasolina no trevo de Paraty.

A rodovia Rio-Santos tem trechos muito acidentados com subidas e descidas íngremes e constantes. Na bicicleta speed que utilizamos a troca da marcha se dá num movimento lateral com a mão. Ao final de 24h pedalando, após um rápido descanso, percebi a perda do movimento da mão direita, bem como os dedos não esticavam e não encostavam mais uns aos outros, me obrigando a partir dali trocar as marchas apenas com o punho. A recuperação total demorou mais de 30 dias. Essa é a tal da LER(lesão por esforço repetitivo).

A passagem por Santos na madrugada do segundo dia foi um tanto tensa, num longo trecho desabitado e sem iluminação, pois a região é conhecida por muitos roubos e assaltos. Já na rodovia Padre Manoel da Nóbrega perto de Peruíbe, num movimento brusco consegui entortar o aro traseiro da minha bicicleta, o que nos tomou muito tempo para o conserto, a encargo do Luiz.

..segunda parte na publicação de 22/06.

Escrito por Fernando Baumann, 19/06/2018 às 12h31 | fernando@bba-reiki.com.br

Estropiados

 Em outro texto falei sobre minhas experiências de caminhada com amigos um tanto sem noção. Sempre digo para a minha mãe que sou o melhor de todos. Ela diz que é difícil acreditar. Deixa pra lá, a questão aqui é conceitual.

Pois bem, numa destas vezes decidimos ir de Curitiba a Morretes  pelo caminho de Itupava. Saímos cedo de Balneário Camboriú e estacionamos nosso carro na Rodoferroviária em Curitiba. Dali pegamos nossas mochilas e seguimos a pé até Quatro Barras, nosso destino àquele dia. Foram aproximadamente 25 km percorridos entre avenidas e ruas da cidade e a rodovia Regis Bittencourt - um trecho bastante monótono – até chegarmos ao hotel em Quatro Barras.

No dia seguinte, já recompostos do primeiro trecho, saímos pela cidade de Quatro Barras rumo a entrada do caminho de Itupava. Como sempre baixei a cabeça e saí em disparada, deixando meus parceiros para traz. O dia estava nublado e muito propenso a chuvas. Próximo ao início da trilha lembrei que não estava sozinho e sentei no canto da rua para esperar os “mal-acabados” dos meus amigos. O tempo passou e nada deles. Já estava me aprontando para retornar quando eles apareceram dando risadas com o tênis do Agilson na mão com a sola descolada. Coisa de amador! Por sorte acharam um comércio aberto e conseguiram comprar outro.

Logo que entramos na trilha as coisas começaram a se complicar. No início maravilha, caminho bem aberto, depois foi fechando cada vez mais, com declives bastante acentuados, onde aproveitávamos, com a presença da chuva, para deslizar morro abaixo. Às vezes não era opção, a gente caia mesmo. E a chuva...bem essa veio com toda a força e persistência, parecia querer provar a nossa determinação.

Eu não havia falado, mas conta a história que o caminho de Itupava foi a primeira ligação entre o litoral e o planalto, subindo (ou escalando) a serra do mar, tendo sido originalmente trilhas indígenas, e depois melhoradas e utilizadas pelos jesuítas e colonizadores para ir a Curitiba, tanto que em alguns trechos ainda conservam a pavimentação de pedras originais.

Num dado momento a trilha cruza pela primeira vez a estrada de ferro que liga Paranaguá a Curitiba. Então propus ao Enir, ao Zé e ao Agilson que seguíssemos pelo caminho da ferrovia que ia ser bem mais divertido. Acho que eles não entenderam bem a “caca” que ia ser e aceitaram. Não deu 500 metros de caminhada daí apareceu uma litorina da Polícia Ferroviária que nos abordou, querendo saber o que nós engraçadinhos estávamos pensando em fazer.  Nos colocaram para cima, deram uma lição de moral aos quatro marmanjos e nos ficharam. Por fim dos deixaram de volta ao caminho, no ponto em que nos desviamos.

Se a primeira parte estava difícil, a segunda então foi punk. Eu e o Agilson despencamos trilha abaixo com uma chuva torrencial nas costas e muito frio. Olhávamos um para o outro e não nos reconhecíamos, de tão feio que estávamos. Então pela segunda vez cruzamos a estrada de ferro num ponto chamado Nossa Sra. do Cadeado. Nos abrigamos em baixo de uma pequena construção para tentar nos aquecer e comemos alguma coisa.

Uma hora depois o Enir chega carregando o Zé, que havia se machucado durante a descida. O Enir bastante solidário e o Zé bastante manhoso.  Eu e o Agilson nos arrependemos e ter deixado os dois para traz - só que não muito.

 Daí para frente a situação melhorou, com caminho menos íngreme, mais aberto e menos chuva. Ao final do dia chegamos a uma belíssima pousada já na estrada de Itupava, a 10 km de Morretes. Estropiados, irreconhecíveis, malcheirosos mas muito felizes.

No dia seguinte foi moleza, a caminhada até Morretes foi tranquila e prazerosa, onde pegamos o trem de volta para Curitiba. Corpo todo dolorido, mas a alma leve e preguiçosa.

 

Escrito por Fernando Baumann, 15/06/2018 às 10h32 | fernando@bba-reiki.com.br



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Fernando Baumann

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Economista, empresário e militante das causas coletivas, acredita no associativismo e cooperativismo como ferramentas para a construção de uma sociedade mais justa. Busca incessantemente evoluir como ser humano e social.


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